Verdades e Mitos – Evoluções no Conceito da Esquizofrenia

“Os esquizofrênicos são vistos como pessoas enlouquecidas, perigosas e dementes, além de desequilibradas, imprevisíveis e incontroláveis. Filmes e livros provavelmente mais ajudaram a perpetuar mitos sobre essa doença do que a explicaram.” (FURNHAN, A; 2015).

De acordo com o dicionário – Termo geral que designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressam uma sintomatologia variada, como delírios persecutórios, alucinações, esp. auditivas, labilidade afetiva, etc.

Desta forma, a Esquizofrenia é uma doença psiquiátrica endógena caracterizada por distúrbio do pensamento e percepções, comportamentos e estados de espírito. Ou seja, perda de contato com a realidade.

Uma a cada cem pessoas é afetada pela doença, considerada o mais grave dos transtornos mentais. Aproximadamente um terço destes requer institucionalização de longa permanência, um terço avança com tratamentos e pode ser considerado curado, enquanto o outro terço possui fases sintomáticas seguidas de fases de “normalidade”.

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Existe uma complexidade quando trabalhamos no diagnóstico de indivíduos que são esquizofrênicos, pois os sintomas são diversos, podendo aparecer com maior ou menor frequência, conforme alguns relatados abaixo:

  • No comportamento: agitação, agressão, automutilação, comportamento compulsivo, excitabilidade, hiperatividade, hostilidade, isolamento social, movimentos repetitivos, repetição de palavras aparentemente sem sentido, comportamento desorganizado, falta de moderação ou repetição persistente de palavras e ações.
  • Na cognição: amnésia, confusão mental, crença de que os pensamentos não são seus, crença de que um acontecimento comum tem significado especial e pessoal, delírios, desorientação, lentidão nas atividades e no pensamento, transtorno de pensamento ou falsa superioridade.
  • No humor: ansiedade, apatia, descontentamento geral, excitação, incapacidade de sentir prazer, raiva, pode sentir-se separado de si mesmo, entusiasmos ou resposta emocional inadequada.
  • Na fala: distúrbios da fala, fala circunstancial, fala incoerente ou rápida e frenética.

Por sua complexidade, diversos mitos rondam sua caracterização:

1º Mito: indivíduos esquizofrênicos são perigosos, incontroláveis e imprevisíveis – na realidade a maioria é bastante tímida, retraída e preocupa-se com seus problemas.

2º Mito: possuem uma espécie de dupla personalidade (ex: O médico e o monstro) – na verdade é o aspecto emocional (afetivo) e cognitivo (pensamento) que encontra-se dividido.

3º Mito: são irrecuperáveis, uma vez esquizofrênico, sempre esquizofrênico – alguns, seguindo tratamento correto, podem se recuperar.

contosclassicos.com / O médico e o monstro

São diversas as teorias, abordagens, os estudos sobre as causas e as curas para este mal, porém com os avanços da genética comportamental e da ciência do cérebro existe um maior interesse na abordagem biológica para determinar estes aspectos. Abaixo citaremos alguns modelos de estudo, no qual podemos entender melhor essa diversidade.

O modelo médico: as pessoas esquizofrênicas, na maioria dos casos, são chamadas de ‘pacientes’, vivem em ‘hospitais’ e são ‘diagnosticadas’, recebendo um ‘prognóstico’ e um ‘tratamento’. Este modelo considera que o mau funcionamento mental resulta de alterações físicas e químicas, principalmente no cérebro. O tratamento consiste em procedimentos médicos, até mesmo cirúrgicos, mas principalmente utilização de medicamentos antipsicóticos.

O modelo moral-comportamental: considera que esses indivíduos sofrem por seus comportamentos ‘pecaminosos’ ou por problemas enfrentados no passado, pois alguns comportamentos extrapolam princípios morais ou legais e essa seria a chave para entender e curar a doença. O tratamento neste modelo consiste em mudar o comportamento ‘inadequado’ para um comportamento ‘adequado’, desta forma ronda processos para modificação do comportamento, controle verbal e treinamento de habilidades sociais.

O modelo psicanalítico: difere dos outros por ser interpretativo, tratando o paciente como um ser capaz de mudar a sua situação; volta-se as intenções, motivações e razões dos pacientes. Sugere que experiências incomuns ou traumáticas na infância, ou a incapacidade de passar por um estágio crucial do desenvolvimento emocional são as principais causas da doença. Uma terapia prolongada e presencial é o principal tratamento.

O modelo social: a doença mental é vista como sintoma de uma ‘sociedade doente’, este modelo não prescreve tratamentos individuais, mas propõe uma ampla mudança social para reduzir as pressões e tensões sobre as pessoas.

O modelo conspiratório: pode ser considerado o modelo mais radical, por negar a existência de doenças mentais e se colocar em oposição direta ao modelo médico. Uma doença mental não é ‘algo que alguém tem’, é ‘algo que alguém é’, desta forma os diagnósticos psiquiátricos não passam de rótulos aplicados a pessoas cujos comportamentos ofendem ou incomodam os outros.

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Podemos concluir que a informação é a maior aliada na hora do diagnóstico e do tratamento, devido as diversas ramificações para ambos. Assim, o indicado seria a procura de um psicólogo e psiquiatra para a elaboração correta do diagnóstico e uma proposta de tratamento indicada para cada indivíduo, considerando seus sintomas e o sofrimento que eles causam.

Nada aqui pode ser ‘cristalizado’, ou seja, devemos estar abertos as diversas opções para que possamos encontrar o melhor caminho em busca da cura ou da manutenção saudável da doença. O objetivo deste texto é informar, mesmo de forma resumida (pois são inúmeras as informações que podemos encontrar sobre as mais diversas patologias existentes), para que o respeito permeie as relações e exista uma vida saudável a todos.

Esquizofrenia não é sinônimo de periculosidade, devendo ser tratada com seriedade e respeito. O ciclo social do indivíduo (família e amigos) deve ser acolhedor no momento do diagnóstico, para que a evolução do tratamento se desenrole de forma o mais sólida possível.

Referências:

FURNHAM, A “50 ideias de psicologia que você precisa conhecer”, 1ª edição, Editora Planeta, São Paulo, 2015, pág 20 a 23.

Pesquisas Médicas Google “Esquizofrenia”, Abril de 2016. Disponível em <https://www.gstatic.com/healthricherkp/pdf/schizophrenia_pt_BR.pdf> acesso em 20 de Abril de 2016.

VARELLA, D. “Entrevista Esquizofrenia com Dr Wagner Gattaz”, 2012. Disponível em <http://drauziovarella.com.br/letras/e/esquizofrenia/> acesso em 20 de Abril de 2016.

 

Fonte: mundodapsi