Trabalhar com prazer é possível?

*Carolina Martins

O prazer é uma vivência individual proveniente da satisfação dos desejos e das necessidades do corpo e da mente. A forma como se configura a organização do trabalho possibilita transformar o sofrimento em prazer. Como? A dinâmica do reconhecimento, por exemplo, contribui para a realização pessoal e agrega na construção da identidade.

O trabalho não aborda apenas os sentidos da atividade em si, mas em uma relação social entre o indivíduo e o coletivo. Além disso, condições socioambientais que atuam na prevenção da saúde dos trabalhadores fazem-se necessário. Como ainda entender a complexidade dos fatores psicossociais no trabalho, identificando os fatores de prazer e sofrimento.

Alguns estudos avaliam processos comportamentais que levam o indivíduo a adaptar-se a situações adversas ou superar obstáculos ou danos que poderiam resultar em fatores psicossociais positivos e saudáveis ​​no contexto do trabalho. Fatores psicossociais pode ser uma fonte de burnout, mas também de prazer e de autorrealização.

Existem características que compreendem o prazer no trabalho, como: as relações com as pessoas; as relações sociais de trabalho de produção de bens e serviços; a avaliação consciente de que algo vai bem; a gratificação do reconhecimento; a valorização no trabalho; a identidade e a expressão da subjetividade individual; a identificação com a imagem positiva da empresa; a vivência da sublimação, que permite a descarga do investimento pulsional; remuneração, carreira, viagens e prazer de identificar-se com o poder da organização. No entanto percebe-se que todas elas têm haver com algum tipo de reconhecimento.

O sentimento de valorização e reconhecimento produz no trabalhador prazer com o trabalho. Isso possibilita a construção de arranjos criativos na organização de suas atividades cotidianas. Ou seja, ele se sente aceito e valorizado pelo que faz e assim produz mais e com maior qualidade.

Quando o esforço para alcançar os resultados é notado, gera vivência de prazer como também passa a existir uma relativa liberdade e autonomia em relação à organização do trabalho. O prazer no trabalho se dá na construção da realização e na possibilidade de construir um cuidado individualizado, que fortalece a identidade como trabalhador que tem a liberdade de rearranjar o seu modo de trabalhar, permitindo que encontre atividades e atitudes capazes de gerarem prazer.

As vivências de prazer só são possíveis quando o trabalho é livremente escolhido e quando a sua organização é suficientemente flexível para que o trabalhador possa organizá-lo e adaptá-lo. A análise da organização do trabalho, das relações e das condições do labor podem promover a mobilização subjetiva e possibilitar a ressignificação das vivências de sofrimento.

A criação de espaços coletivos de discussão é o caminho para identificar as estratégias de defesas capazes de promover vivencias de prazer no trabalho. Essa mobilização pode favorecer a constituição de espaços coletivos para ampliar a percepção do trabalhador sobre ele mesmo, bem como favorecer o seu processo de emancipação e a consequente intervenção naquilo que o grupo identifica como necessário para melhorar a organização do trabalho.

Ao promover a mobilização coletiva, pode, em diferentes graus, atingir seu objetivo de emancipar o trabalhador em sua relação subjetiva com o trabalho. Portanto, sugere-se a implantação do espaço de discussão coletivo nas empresas, a fim de mobilizar as estratégias coletivas, caracterizando o modo de agir coletivo dos trabalhadores com o objetivo de transformar o contexto de trabalho para melhor produtividade e saúde mental dos trabalhadores.

Carolina Martins dos Santos – psicóloga: clínica, social e organizacional. Faz doutorado em Psicologia Organizacional e é professora no curso de Psicologia da Faculdade Cambury.

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