Seja líder!

A visão da psicologia organizacional acerca do trabalho é a de que esse é um instrumento de realização do sujeito como instrumento direto de produção. Neste sentido, a psicologia tem buscado cada vez mais ampliar a compreensão acerca da possível ligação entre o indivíduo, o trabalho e a sociedade. Tudo isso, por meio do estudo do comportamento.

Por Julio Cesar Alves

De acordo com Hunter, a liderança como a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visa objetivos identificados como sendo para o bem comum. Para que o ato de influenciar seja eficaz é preciso entender o efeito da liderança sobre o desempenho da tarefa e da satisfação do influenciado, seja ele indivíduo ou grupo.

O líder deve ser capaz de reconhecer quais as implicações do ambiente estão atrapalhando a realização dos objetivos estipulados e, a partir disso, aplicar as melhores técnicas administrativas para a resolução desses problemas. A liderança, desta forma, concentra-se nos seguintes fatores, descritos por Sto­ner e Freeman:

  • A personalidade, as experiências passadas e as expectativas do líder;
  • As expectativas e o comportamento do superior;
  • Exigências da tarefa;
  • Expectativas e comportamentos dos pares;
  • Características, expectativas e comportamento dos subordinados;
  • Cultura e políticas organizacionais.

Dessa forma, o líder precisa se atentar para todos estes fatores para que possa gerar uma tomada de decisão assertiva, tendo em vista um crescimento tanto da empresa como de seus colaboradores. Se o estilo de liderança se pautar nestes princípios conseguirá alcançar os seus objetivos da melhor forma possível.

Estilos de liderança:

É de extrema importância o entendimento dos estilos de liderança para um bom funcionamento da organização, estes podem ser definidos como: liderança autocrática (quando a ênfase está no líder), liderança liberal (quando a ênfase está no liderado) liderança democrática (ênfase no líder e no liderado), liderança situacional (ênfase na maturidade e situação).

Autocrática

A liderança autocrática é um tipo de liderança em que o “chefe” é o centro de decisões e é bastante centralizador. O subordinado deve se contentar com ordens, com pouco espaço para questionamento ou sugestões. É um estilo que costuma causar insatisfação entre os colaboradores, desmotivando-os e deixando o ambiente mais sensível a conflitos. O líder determina as providências e as técnicas para a execução das tarefas, cada uma pôr vez, na medida em que se tornam necessárias e de modo imprevisível para o grupo. Ele determina qual a tarefa que cada um deve executar e qual o seu companheiro de trabalho. Como ainda é dominador e é “pessoal” nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro.

Liberal

Na liderança liberal há liberdade completa para as decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder. A participação do líder no debate é esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem.  Este tipo de liderança segue o pressuposto de que os colaboradores já são maduros o suficiente e não necessitam de um acompanhamento constante. Nesse estilo, o gestor se ausenta com frequência, não fornecendo tantas orientações nem feedbacks ao grupo. Ele acredita que deixar o grupo a vontade para a condução das tarefas, estimula a autonomia de seus membros. No entanto, a ausência do líder faz com que o grupo fique com poucas referências da qualidade do trabalho realizado, o que prejudica o desempenho geral.

Democrática

Na liderança democrática as diretrizes são debatidas pelo grupo, estimulado e assistido pelo líder A divisão das tarefas fica a critério do próprio grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus companheiros de trabalho, o líder procura ser um membro normal do grupo, em espírito, sem encarregar-se muito de tarefas, é “objetivo” e limita-se aos “fatos” em suas críticas e elogios. Encoraja os colaboradores a participarem, incentiva-os a darem sugestões e opiniões. Além disso, o líder democrático busca ser um facilitador dos processos, ajudando a equipe a desenvolver soluções. Ele se preocupa com a execução do trabalho, mas também com a qualidade de vida e satisfação da equipe.

Situacional

Na liderança situacional, podemos dizer que é um tipo de liderança que exige do liderado competência e empenho, bem como desenvolvimento de sua maturidade para exercer suas funções, onde o líder vai adaptar seus comportamentos para atender as necessidades de seus liderados, cabendo ao mesmo, identificar, em razão do nível de maturidade do liderado se deve dar ênfase na direção (orientação ao subordinado) ou ênfase no apoio (incentivo ao subordinado) na execução de tarefas.

Julio Cesar Alves – Doutor em Psicologia, com ênfase em Psicopatologia Clínica e Psicologia da Saúde pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia (PSSP) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Mestre em Psicologia com área de concentração em Psicologia Social, do trabalho e das organizações pela PUC Goiás. Especialista em Psicopatologia: subsídios para atuação clínica, (PUC Goiás). Graduado em Psicologia pela Universidade Paulista. Editor de livros cadastrados pela Agência Brasileira do ISBN / Fundação Biblioteca Nacional. É psicólogo clínico e Chefe da Escola de Psicologia da Faculdade Cambury.

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