Sedentarismo Jurídico

 *Por Marcelo Di Rezende

Há tempos sabemos que o sedentarismo, ou seja, a não prática de exercícios físicos caracterizados por uma inatividade constante é uma praga que desventurosamente propaga em nossa sociedade moderna, onde é comum sempre ouvirmos como desculpa dos sedentários a alegação ditada pelo: “não tenho tempo”.

Aliado a esta letargia física, vimos então percebendo o infeliz surgimento de uma nova espécie de sedentarismo, de igual forma, tão prejudicial quanto o anterior, pois além de não praticar exercícios físicos, o homem também deixou de exercitar a ‘pena’, a escrita, seja ela até mesmo na feitura de singelos cartões de aniversário ou de natal.

Algumas pessoas chegam a indagar coisas do tipo: “Para que servem os textos escritos em jornais e revistas, se estes são coisas arcaicas e não úteis?” E estes ainda completam suas asneiras dizendo que nossas necessidades atuais mais prementes atendem pelo nome de celular, internet, facebook, twitter, instagram e nada mais.

Entretanto, em que pesem tais errôneos argumentos, temos que ter coragem de dizer que bons textos ou, juridicamente falando, boas petições ou pareceres, poderão render bem mais do que dinheiro, sendo fonte de prestígio para quem tem o trabalho de fazê-los, atestando assim, de forma imediata a sua elevada capacidade de pensamento, pontos de vista e convicções da alma de jurista.

Temos que a importância da escrita para todas as pessoas e, especialmente, para o profissional do direito, deve a todo o momento ser exaltada, pois a “alegada falta de tempo” que nós mesmos propagamos aos quatro ventos, não é e nem deve mais ser aceita como, digamos assim, ‘politicamente correto’ nos dias de hoje.

Assim, se tudo na vida requer prática, quem não escreve, tem dificuldade contínua, e quem nunca escreveu, terá que fazer grande esforço para treinar estes “músculos” ora adormecidos, ou mesmo que em tempo algum foram exercitados, pois, mesmo com tantas estressantes atividades diárias, que temos o ato de escrever ainda representa, neste atribulado e fugaz mundo em que vivemos um alento de cultura que nos eternizará como um bom profissional e que já nos engrandece, principalmente, como pessoa.

*Advogado, Mestre em Direito, Professor de Direito da Faculdade Cambury e Autor do livro: “A Aplicabilidade das Decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Brasil”.

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