O plantão psicológico como modelo inovador

*Julio Cesar Alves

Na atualidade o ser humano tem vivenciado uma realidade que progressivamente e quase que inevitavelmente, causa-lhe um estado de tensão, de desgaste de seu organismo como um todo. O plantão psicológico é pensado e praticado, basicamente, como um modo de acolher e responder a demandas por ajuda psicológica. Isso significa colocar à disposição da clientela que o procura um tempo e um espaço de escuta abertos à diversidade e à pluralidade dessas demandas.

Busca-se acolher o sujeito que procura o atendimento, ou seja, dar atenção para a experiência do momento em que procurou ajuda, incluindo o modo como vive a queixa trazida para os atendimentos, os recursos subjetivos e do entorno sociopsicológico de que dispõe para cuidar de seu sofrimento, bem como as expectativas e perspectivas que se apresentam a partir da busca de auxílio, levando em consideração sua rede social que assume papel importante nesse processo.

Neste sentido as pessoas devem se manter integradas em suas redes sociais para que consigam estabelecer contatos saudáveis de forma a se relacionar positivamente com o outro, pois a rede social está relacionada à qualidade de vida, e se um indivíduo não possui uma boa rede social, dificilmente ele terá condições de ter uma boa qualidade de vida, visto ainda que a rede social engloba o nível sócio-econômico do indivíduo e a sua forma de lidar consigo e com o outro.

O plantão psicológico apresenta-se, então, como uma nova modalidade de atendimento clínico criado a partir da atenção à centralidade da pessoa. Esta prática clínica surgiu da importância de se ter um espaço para as pessoas, muito mais dos que para os problemas, promovendo a consciência de si e da realidade, de forma que pudesse levar a pessoa a discriminar os diferentes recursos disponíveis.

Esta modalidade de atendimento caracteriza-se como uma prática clínica diferenciada, que rompe com padrões clássicos do atendimento psicológico e ultrapassa o nível individual, possibilitando o acesso da população que necessita de atendimento no momento oportuno de sua procura. Portanto, pressupõe-se a este atendimento um tipo de intervenção que trata o inesperado, o imprevisível e que acolhe a pessoa no exato momento de sua necessidade, ajudando-a a lidar melhor com seus recursos e limites.  A situação crítica acarreta o peso de um encontro “aqui”, neste momento, não permitindo uma elaboração profunda do processo, mas a minimização da angústia, do desconforto, do desalento.

A entrevista do plantão tem em vista facilitar que o cliente esclareça a natureza de seu sofrimento e de sua demanda por ajuda. O tipo de elaboração e o grau de elaboração que são alcançados nesta primeira entrevista são os critérios norteadores dos desdobramentos possíveis deste encontro inicial.

Por fim, vale ressaltar que a avaliação na modalidade de plantão psicológico tem sido uma prática social, na medida em que rompe com padrões excludentes de uma ciência que vem sido construída socialmente, tal como é a psicologia. Vale ressaltar que a psicologia tem assumido cada vez mais o cenário de discussões acerca do social, e por que não levar o social para prática clínica? Considerando o sujeito que procura atendimento estando ligado a uma rede social que lhe constitui e lhe dá sentido, e de onde ele é constituído e constitui-se ao mesmo tempo, dando sentido e significado as suas experiências.

Desta forma em plantão psicológico procura-se oferecer auxílio psicológico no momento que a procura acontece, ressaltando que somos seres sociais com um campo relacional e neste campo relacional é o outro que reforça os adjetivos que temos com o mundo, permitindo a ressignificação de uma situação atual. Propiciando uma suspensão dos julgamentos e, em consequência, um desenvolvimento do processo conjunto entre o cliente e o terapeuta, compreendendo o sentido de como o sujeito está naquele momento, podendo a partir daí humanizar o atendimento psicológico, de forma que todos que necessitem possam ter acesso a ele.

Julio Cesar Alves – Psicólogo Clínico. Chefe da Escola de Psicologia da Faculdade Cambury. Pós Doutorando em Psicopatologia Clínica. Doutor e Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC Goiás (2018-2013). Especialista em: “Psicopatologia: Subsídios para atuação clínica”. (2014). Professor de Cursos de Graduação e Pós-Graduação.

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