O empoderamento feminino

Mas afinal, o que é o empoderamento feminino? Diferentemente do feminismo, movimento arraigado na ideologia da igualdade social, política e econômica entre os gêneros, o empoderamento feminino é a consciência da mulher sobre o seu valor no sentido mais amplo.

Empoderar-se tão pouco está ligado à força da sedução com perfumes, maquiagens e saltos e muito menos ao sucesso de liderança profissional e familiar, mas sim é o ato de tomar poder sobre si. Num português mais claro, a mulher contemporânea na consciência do seu valor preserva sua dignidade, autoestima e exige o seu reconhecimento.

Sabendo onde mora a sua felicidade, a mulher empoderada jamais se curva às ofensas físicas, psicológicas ou qualquer outra situação que venha colocar as suas emoções em cárcere. É por isso, que sentimos um calor coletivo toda vez que uma mulher é vítima da opressão. Ter consciência dói, porque é um enfrentamento diário em busca de transformação, e é desafiador, pois a revolução é um caminho sem volta.

O empoderamento feminino não extrai da mulher a sua natureza graciosa e feminina , ao contrário, a mulher empoderada sabe que sua plenitude se consagra em uma via de mão dupla por meio da troca de respeito e solidariedade, porém, aprendeu a impor limites. Sabe dizer sim e dizer não, porque exercita a sua autoconfiança em busca do reconhecimento e preservação do seu valor.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, novamente apontou o Brasil, um dos países com o maior número de violência contra a mulher, mas por outro lado, o país deu passos importantes em 2018 para reduzir as estatísticas de violência. Entre as principais mudanças estão à criminalização do descumprimento de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha e a criação do crime de importunação sexual.

O empoderamento é o “espírito das leis”.  O ato de empoderar-se, faz com que a mulher primeiramente revolucione a sua vida e essa tem sido a grande diferença. O respeito e tolerância devem ser resgatados primeiramente na realidade individual, para depois ser colocada como opção de liberdade coletiva. Assim, por meio da consciência do valor e do direito à felicidade, quebra se a passividade, o silencio e o medo das vítimas.

Não aceitamos mais a intolerância, a falta de reconhecimento e a violência que permeia o nosso caminho. O exército do “sexo frágil” está empoderado e não vai negociar o seu valor, a sua dignidade e a sua autoestima.

Rejane Michele Silva Souza – É mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento e coordena a Escola de Direito da Faculdade Cambury.

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