Mito ou realidade?

Por Mirelle Ivy Diniz Miotto

A máxima é de que tudo em exagero gera transtornos. Portanto, ser uma pessoa narcisista significa admirar exageradamente a sua própria imagem e isso é prejudicial. Os estudos da psicologia sobre personalidade apresentam vários transtornos dentre eles o narcisismo maligno. Se as pessoas saudáveis são capazes de trabalhar, amar e pensar produtivamente, as personalidades não saudáveis também fazem tudo isso, porém muitas vezes de forma improdutiva. Elas são marcadas por problemas nessas três esferas, em especial no ato de amar.

Erich Fromm (1981) sustentava que as pessoas com perturbações psicológicas eram incapazes de amar e não conseguiam estabelecer uma união afetiva com os outros. Ele discutiu alguns transtornos da personalidade graves, entre eles o narcisismo maligno. O mito de Narciso, do qual vem o nome do referido transtorno, foi um personagem grego que nasceu com um dom que se converteu em maldição: a própria beleza.

Esse mito conta que quando Narciso nasceu os sábios orientaram a mãe dele de que jamais deveria deixá-lo olhar a sua imagem em um espelho. Pois, esse ato iria gerar um choque nele ao ver a sua beleza. Assim, o garoto viveu até que um dia, durante uma caçada em meio ao bosque, parou para tomar água em um lago que ali havia. Ao ver sua imagem refletida nas águas serenas do lago, tal como um espelho, viu uma imagem de tamanha beleza que tão logo a contemplou já se apaixonou. Perdido de amor tentou abraçar a imagem, mas sempre que tocava nela se desfazia em suas mãos. Narciso tentou várias vezes e percebeu que se tratava de um amor impossível e, já sem esperanças, decidiu matar-se ali mesmo, à beira do lago.

Da mitologia para a vida real, percebemos que todos nós temos algumas tendências narcisistas. Mas as pessoas sadias manifestam uma forma benigna de narcisismo, ou seja, um interesse equilibrado por si próprio. No entanto, na forma maligna, o narcisismo impede a percepção da realidade, de modo que tudo o que pertence a uma pessoa narcisista é altamente valorizado e tudo o que pertence a outro indivíduo é desvalorizado.

As pessoas que são fixadas em si mesmas têm maior probabilidade de internalizar as experiências e se prenderem à saúde física e às virtudes morais. Tais pessoas narcisistas possuem o que Karen Horney denominou “reivindicações neuróticas”. Elas atingem a segurança apegando-se à crença a todas as outras pessoas. Como o que elas têm – aparência, psique, saúde – é tão maravilhoso, que elas acreditam que não precisam fazer nada para provar o seu valor. Seu senso de valor depende de sua autoimagem narcisista e não de suas realizações. Quando seus esforços são criticados pelos outros, elas reagem com raiva e fúria. Muitas vezes até ataca os críticos e tenta destruí-los.

Mirelle Ivy Diniz Miotto – É estudante do curso de psicologia da Faculdade Cambury.

PSICOLOGIA É NA CAMBURY!

Conheça o programa exclusivo da Cambury EPD – Estude agora e pague depois, Clique no banner