A educação corporativa no contexto da transformação digital

Muito se tem falado sobre educação corporativa nos últimos anos. E não é para menos!

Com a transformação digital, o mercado vem passando por mudanças estruturais em uma velocidade exponencial, puxadas por uma onda crescente de empreendimentos criativos e que reinventam a forma como consumimos o que quer que seja. Não é novidade que as startups revolucionaram a forma como as empresas se relacionam com os seus diferentes públicos de interesse (stakeholders) e as concepções tradicionais de produtos e serviços. Para uma sociedade cada vez mais “cíbrida”, com indivíduos que estão o tempo todo on e off-line, simultaneamente, (o conceito de cibridismo é trabalhado por Giselle Beiguelman e Martha Gabriel), a relação com o consumidor precisa ser omnichannel (convergente e integrada a ponto de não se notar a diferença entre a presença real e a virtual).

Os modelos tradicionais de educação já não conseguem, por si só, suprir as necessidades de um mercado tão dinâmico. Este contexto provoca ansiedade em empreendedores, executivos e líderes, que precisam realinhar constantemente as necessidades e expectativas de suas equipes, com as da instituição e as do mercado, pois tudo está em constante transformação.

A economia segue um crescimento baseado em inovação e desenvolvimento tecnológico, cuja ideia de propriedade, por exemplo, vem sendo rapidamente ressignificada para a de acesso. Em vez de comprar um produto, assumir a responsabilidade pela sua manutenção e encarar que ele terá que ser substituído ao terminar sua vida útil, as pessoas optam por ter acesso a este produto e receber como benefícios a sua manutenção e atualização constante. Vantagem para o consumidor e também para o fornecedor, que garante a recompra periódica, ao receber, por exemplo, uma mensalidade por este acesso (o que conhecemos por assinatura).

Então, se o mercado muda, o jeito de se fazer negócios também se reformula e o mundo do trabalho se reinventa, atendendo demandas relacionadas com a adaptação da inteligência humana às novas necessidades por serviços cada vez mais customizados. O panorama sinaliza para o fato de que as empresas que não acompanharem estas transformações estarão fadadas à perda acelerada de posicionamento, da mesma forma que os gestores mais resistentes às mudanças invariavelmente estarão decretando a própria obsolescência.

Pensar em gestão de pessoas, produtos e serviços neste contexto exige cada vez mais das empresas e suas lideranças, dentre outras coisas, consciência do ambiente mercadológico, sensibilidade às demandas subjetivas dos diferentes públicos de interesse, clareza de objetivos, estratégias flexíveis, resiliência, foco em geração de valor e relacionamento.

Onde a educação corporativa entra neste complexo cenário? No apoio estratégico para a construção de um diferencial competitivo poderoso: o capital intelectual.

A organização comumente se vê mergulhada em um mar de variáveis importantes do ambiente de mercado, misturadas às demandas operacionais internas e às urgências em múltiplas tomadas de decisão, com profissionais que não conseguem acompanhar as transformações conceituais e a atualização de ferramentas da própria profissão. O tempo para pesquisas, diagnósticos, análises, planejamento, vai ficando cada vez mais escasso e a reflexão sobre novas possibilidades estratégicas vai sumindo na lista de prioridades. O gestor então começa a ficar isolado no topo de uma pirâmide de visão sistêmica, que tem, no centro, líderes sobrecarregados e, na base, funcionários desalinhados das diretrizes organizacionais.

A educação corporativa entra em cena para ajudar a ajustar o desequilíbrio entre os componentes desta pirâmide, promover ajustes e alinhamentos, de acordo com as necessidades de cada organização, em uma determinada conjuntura, atuando junto às equipes que precisam ser desenvolvidas, de forma contínua. Um time de vendas, com pessoas de alta performance em fechamentos, por exemplo, pode estar com seus resultados estagnados na média anual, por falta de alinhamento com a equipe de pós-venda, que não percebe a importância de promover a recompra. Neste caso, mais eficaz do que se aplicar um treinamento pontual para a equipe de pós-venda, seria abordar as estratégias do negócio em diferentes momentos, de forma contínua, dentro de um sistema de aprendizagem ativo e permanente. Assim, o problema deixaria de existir pontualmente e não voltaria a surgir.

De acordo com Marta Eboli, Professora Doutora da FEA/USP e especialista no assunto, este deve ser um processo contínuo e preventivo, que proporcione como diferencial competitivo alto capital intelectual, gerando desenvolvimento de competências empresariais críticas; alinhamento entre a formação das competências humanas e as estratégias do negócio; e, consequentemente, resultados consistentes a longo prazo.

Assim, encontros de imersão, treinamentos operacionais, palestras, cursos de curta duração, aplicação de ferramentas de desenvolvimento estratégico, formação de conselhos consultivos, criação de grupos de trabalho, são alguma das metodologias que podem fazer parte dos programas de aprendizagem, mas que devem ter como princípios norteadores a integração e a continuidade.

*Alice Galvão é jornalista, especialista em Marketing e Comunicação, professora dos cursos de Marketing, Eventos e Gestão Comercial da Faculdade Cambury, pulisher do site Notícias da Saúde, editora da Revista Zelo e diretora da BG Comunicação e Marketing.

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